terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Santa Cruz de La Sierra / BO --> La Paz

Dia 23 chegamos a Santa Cruz, muito calor, estávamos com bafos terríveis, cabelos sebentos precisando mesmo de banho, dia 21 a tarde tinha sido meu ultimo banho, no trem víamos os cozinheiros, ao acordar, organizando sua higiene na pia da cozinha, ao som de Creu, Bruno e Marrone, Calipso e até Morango do nordeste em espanhol. Chegando na rodoviária de Santa Cruz avistamos uma placa perto de um barraco que dizia: "Bienvenido La Los Angeles",  a primeira coisa que buscamos foi as passagens para La Paz, depois Banho(FOTO) por 3B/.

Santa Cruz é a cidade comercial, muitas empresas e muitos burgueses ( os que não apóiam Evo Morales )
o clima em Santa Cruz é menos quente que o de Quijarro, compramos passagens p/ La Paz por 130B/ pela agencia Trans Copacabana,  tinha de 80B/ contudo, lotado!
O ônibus sairia as 19:30h  e ainda eram 10:30h, aproveitamos pra conhecer a cidade, fomos a uma grande feira de produtos importados, compramos: maquina fotográfica, Pen driver. Achamos uma Lan house por 4b/ a hora, descarregamos as fotos.
As 19h embarcamos pra La Paz, na hora do embarque conhecemos alguns brasileiros, que também estavam indo a La Paz, pouco mais de 19h e, lá estava nosso ônibus, o ônibus dos brasileiros não era aquele, era um que estava atrasado, deveria sair as 14:30h( a passagem que lamentávamos não ter comprado, por ser mais cedo), já se aproximava de 20h e nada do ônibus deles, a previsão era chegarmos as 8h da manha do dia seguinte, chegamos a noite, foram 24h de viagem, o dobro do previsto. Coisas da Bolívia!

Caminho a La Paz

Chovia muito e o motorista seguia cauteloso, quase parando, após umas cinco horas de viagem o ônibus realmente parou, havia uma fila enorme de ônibus e caminhões, e uma luz na cabeceira da fila, descemos pra ver o que estava acontecendo,um motorista nos informou que havia muitas terra na estrada e alguns homens trabalhando para retira-la, o deslizamento de terra nos deixou parados por umas 5 horas, rimos, dormimos e por fim seguimos viagem, e logo percebemos a diferença do ambiente, do clima, do povo, a forma de se vestir, as pessoas parecem mais calmas, serenas e tranqüilas. Em Santa Cruz tudo é mais agitado, as pessoas, os carros, a cidade. No caminho vimos grandes vales, subíamos sempre, até alcançar o verdadeiro altiplano, retas prolongadas, muitas plantações, muitas ovelhas, jegues peludos e algumas llamas.
Os Bolivianos não reclamavam de nada durante toda a viagem, apesar do muito atraso e das diversas paradas que fizemos, estavam em paz, dormiam, falavam pouco e baixo, lembrei logo do meu belo Brasil, onde todo mundo reclama de tudo.
Passamos por Cochabamba, uma cidade em meio a um gigantesco vale,  de lá dava pra ver as primeiras montanhas com uma bela cobertura de neve. Em Cochabamba é tudo plano, e mesmo assim todos andam devagar, os carros são cobertos de adesivos, na lataria e no vidro,  o motorista prevê que chegaríamos a La Paz as 17h. Apesar de estarmos a 2.500 metros de altitude ainda não sinto sintoma algum, todos estão bem, meus ouvidos me lembram as viagens de avião, estão tapados.
Na Bolivia a comida tradicional é o Pollo ( Frango), nada é mais popular, em todos os lugares ouve-se " pollo, pollo, pollo..." e mulheres - Cholas - vendendo sanduiches de pollo...
Todas as cidades bolivianas tem feiras populares, onde vendem de tudo, são como as cidades do interior brasileiro, as vezes é difícil identificar o que é táxi e o que não é, nem todos tem identificação, e os que tem são do jeito deles, com adesivos customizados, não tem placas de identificação padronizadas.

As 11h da manhã descobrimos que o atraso para sair de cochabamba era devido a um defeito na marcha, tínhamos viajado todo aquele percurso sem usar a primeira marcha, que estava defeituosa, os mecânicos eram rápidos, corriam pra todos os lados o tempo todo, trabalhando em equipe e aos gritos, pensamos que talvez chegaríamos em La Paz a noite.


No trajeto a La Paz via-se diversos vales após cada grande subida, e durante todo o trajeto via-se pessoas, principalmente crianças, com chapéis e casacos, me veio o pensamento, o Sol da tarde, tão quente, como usam tantas roupas, quando descemos pra usar o banheiro natural percebi que apesar do sol estar quente, o ar era rarefeito e soprava muito gelado, ao longo do trajeto vimos também diversas casas cheio de pedras nos tetos, o teto é feito de placas tipo eternites e concluímos que o vento é poderoso por ali, senti a altitude quando desci do ônibus, dei uma corridinha pra adiantar e senti que cansei de forma diferente, mais exaustiva.
Crianças por todos os lados, balançam suas mãos como se estivessem pedindo, e provavelmente estão, mas, a cada 100 metros há uma criança, em meio a montanhas, distantes de casas, uma outra criança, algumas vezes só! algumas vezes com pais, e algumas vezes  llamas. A cada Km o solo é mais seco e vegetação mais rasteira, faltam 260 km pra chegar a La Paz.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Porto Quijarro / BO --> Santa Cruz de La Sierra / BO




Chegando em Quijarro de táxi passamos pela fronteira, antes, durante e depois da fronteira já ouvíamos todos dizendo que não havia mais passagens para Santa Cruz, era dia 22/12 e todos passavam natal em La Paz, e que não havia passagens, não havia nenhuma opinião favorável, só a nossa vontade de ir a Santa Cruz no famoso Tren de la Muerte, a viajem durava 18 horas.
Conhecemos um casal que pensava como nós e que ouviram as mesmas coisas que nós, então juntamo-nos e fizemos um trato com um boliviano que queria nos levar a Santa Cruz por 42 dólares e dizia ele ter ar condicionado, o trato foi o seguinte: ele nos levaria até a estação de trem, tentaríamos ir de trem, se não conseguíssemos aceitaríamos a proposta do motorista.
Chegando na estação de trem concluirmos que não havia possibilidade de ir no carro dele, o calor era insuportável, e o ar condicionado servia para nada.

Chegando no guichê de vendas de passagens descobrimos que só havia passagens para o dia seguinte ao meio dia, pensamos na possibilidade mas quando saiamos para falar com os outros um boliviano em cima da escadaria nos chamou, Opa! , um cambista, lembrei-me logo do maracanã e de como somos contra aqueles cambistas que sempre nos deixam sem ingressos, mas na hora do aperto vemos o lado bom das coisas ruins, e lá estávamos nós negociando com um cambista. ele nos cobrou 200 B/ o valor da passagem no guichê era 127B/, pagamos mais para ir no trem daquela tarde que saia meia hora depois. 


O Esquema do Cambista ( Trem da Morte)


O esquema era o seguinte, aquele cambista(A) era o intermediário entre nós "clientes" e o condutor do trem que era o verdadeiro cambista(B). O cambista(A) conseguia os clientes, levava as identidades e passaportes dos "clientes" ao cambista(B) este dava 50B/ ao cambista(A) e ficava com 150B/, dos 150B/ ele tirava o valor da passagem: 127B/  e o resto era de lucro.


Entramos no trem antes de todos e fomos colocado em um vagão vazio, com ar condicionado e TV, um ótimo lugar, confortável e espaçoso, passava filmes do Stallone, com uma voz de boliviano engraçada, havia 5 opções de filmes dele, alguns Rambo's entre eles, e o maquinista escolheu: "Pare se não a mamãe atira".(FOTO) Desconfiamos de tanta bondade, nossos passaportes já havia 30 min. que não sabíamos onde estava, e assim permaneceu pelas 8h que se seguiram...
Até que chegando em uma determinada estação o nosso vagão foi invadido por bolivianos (FOTO) e lotou, e descobrimos ali que realmente tinha algo errado com todo conforto que estávamos tendo, os donos de nossos lugares chegaram e ficamos sem cadeira, como nos filmes o cambista (B) que era o condutor do trem e o possuidor de nossos documentos surgiu e nos mandou pro refeitório (FOTO) do trem, devolveu nossos documentos e recebeu o nosso dinheiro, fomos, chegando lá todos os cozinheiros dormiam no chão, foram pisoteados e muito incomodados com nossa presença, o lugar estava extremamente escuro, não vimos completamente nada, sentamos em bancos apertados, sem nenhum conforto e nada de ar condicionado, todos que nos impediam de permanecer ali tínhamos como justificativa um único nome, o nome do condutor do trem que nos mandou para lá algo como "kabahal". nome muito útil para nos manter ali, todos pareciam ter medo desse nome.

OBS: o verdadeiro nome do condutor era algo como Carnajal

A parte do  Esquema do Cambista que descobrimos depois

Varias estações vendiam passagens para La Paz, em Santa Cruz alguns foram lotados e ao longo do percurso os outros foram sendo lotados, de forma que nós que estávamos no último vagão a ser lotado ficamos 8h sentados e as outras 10h no refeitório.

No trem o almoço custava 20B/ e a água 6B/ um dos companheiros de viajem pagou uma refeição com 100B/ e recebeu 176B/ de troco, devolveu é claro, mas foi motivo para boas risadas como todo o resto dos acontecimentos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Trip pela América do Sul - Rio --> CG --> Corumbá



Adeus  Rio 21/12 - 19:30h





O Rio de Janeiro visto do Avião...
uma bela imagem, o sol se pondo e nas nuvens um reflexo com diversas cores.

Ninguém imagina a saudade que o Brasil faz depois de 30 dias longe dele...



 Iniciamos a viagem seguindo do Rio a Campo Grande de Avião, chegando lá na madrugada as 03:30.
Quando peguei minha mochila, senti, o adorável cheiro de Peixe que exalava dela, agora eu andava e parecia que estava sendo perseguido por peixes fedorentos...

Pagamos R$ 22 até a rodoviária de Corumbá, esperamos até para pegar o ônibus das 6:30h, tinha um que sai as 2:00h, atrasado, chegou as 4:00h, mas estava cheio.