sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Aguas Calientes / Cusco - Feliz Navidad




Rio Urubamba - Principal fonte de Água dos Incas

Após chegarmos em Aguas Calientes, completamente desgastados e em trapos, corpo não aguentava mais nada, foram 2 horas de escadarias, e um dia inteiro andando, subindo e descendo ruínas sagradas.

Fomos então em busca de um lugar para comer, era a maior necessidade, chegamos a um de razoável preço, 15 soles, ficamos ali, e se não fosse nossa cega fome não teríamos ficado. Como entrada uma tradicional sopa, só que desta vez não estava como de costume, parecia que a agua utilizada era a do pacifico, muito, mas muito sal mesmo, passou-se uma hora e só o que tínhamos era a rejeitada sopa que não durou junto de nós mais que 3 ou 4 colheradas, o prato principal, uma macarronada, não chegava, e fui um dos poucos que não resistiu a fome e chegou perto do fim da sopa. Comemos sem nem parar para saborear o prato principal e rejeitamos a sobremesa por precaução, tudo isso se passou enquanto assistíamos um jovem de 13 talvez 14 anos preparando uma pizza para outros clientes, pizza a lenha, mas não havia lenha, ele usava, papelão, plástico, e tudo que encontrava disponível, imaginamos logo o sabor da bela pizza.
A partir dai passamos em uma freirinha de roupas e artesanatos e compramos o necessário para chegar em Cusco, uma meia nova, a minha já estava desintegrada, uma calça em bom estado, de pano e listrada, parecia um pijama mas foi muito útil.

Seguimos para o indispensável ponto de parada de Aguas Calientes: As Aguas Calientes.[FOTO]

Enxofre! Cheiro de Enxofre tinha a água, contudo foi essencial para relaxar nossos músculos, não era muito forte, as aguas termais são aguas vulcânicas por isso esse cheiro, havia no local 4 piscinas, alugamos toalhas e  no meio dos branquelos gringos relaxamos nas aguas calientes.
Estavamos regenerados e prontos para pegar o trem em direção a Ollaytaitambo e dar um jeito de chegar a Cusco antes das 00h - RÉVEILLON

Seguimos para a estação de trem e esperamos o Trem Chegar, eram cerca de 6h da tarde, talvez um pouco menos, o trem que nos levaria a Ollay chegaria às 7h.

Enquanto isso nos destruímos com as lindas crianças da região, Gabriel, um capixaba que estava entre nós colocou sua touca no chão e com bolinhas de malabarismo fez o tempo passar mais rápido do que imaginávamos.

Nós participávamos jogando moedas na touca, as quais sumiam quando as crianças se aproximavam.


Partimos então com destino a Ollay, biscoitos e suco de laranja bem servidos no trem. Chegamos com a esperança de encontrar uma van que nos levássemos a Cusco antes da virada do ano. Tínhamos a informação de que haveria vans entre 8:30h e 9h pegando pessoas no desembarque do trem e levando a Cusco. Chegamos as 8:30h - pontualidade, não estávamos acostumados, pegamos a van por 15 soles e chegamos em Cusco as 10h, todos estavam muito cansados, alguns conseguiram dormir nessa breve viagem, mas para mim parecia uma eternidade, não grudei os olhos e a todo momento tinha o reflexo de pisar mais firme no chão, o carro ia muito rápido e o motorista conseguiu em 30 minutos anular todas as leis de transito possíveis e universais. Ah, e estava chovendo.

A Chuva tomou conta de Cusco, chuva forte e passageira de verão, voltamos ao Hostel Aylu Real, o que havíamos nos hospedado antes, banho e fomos pra rua, ver o famoso Réveillon Cusqueinho.

(Click na foto para ampliar)
Aqui passamos o Réveillon
PLAZA DE ARMAS de CUSCO.

Havia milhares de pessoas de todos os tipos e lugares do mundo, todos encantados com Cusco, A bela cidade colonial de Cusco, primeira capital peruana, uma das cidades que realmente daria pra passar um tempo, viver...
O Réveillon em Cusco é coberto de cultura, Peças teatrais, apresentações de danças incas, todos a caráter em plena praça de armas, reproduzem os sacrifícios e as adoração aos antigos deuses Incas, mostrando um pouco da forma de vida que seus antepassados lhes deixaram como herança, com imagens em cor de ouro do Condor, da Pulma, e da Serpente, animais sagrados para os Incas.


As 00:00 horas só se ouvia fogos, todos começaram a correr e, seguindo a tradição, deram voltas ao redor do Plaza de Armas, eu que não sou muito fã de fogos de artifícios preferi assistir o espetaculo da periferia.
Por fim voltamos ao hostel, iríamos seguir viagem no dia seguinte para Ica, e todos que conhecemos no caminho iriam por outro caminho, pensamos que talvez não os encontrássemos mais, nos despedimos e seguimos para Ica...


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Machu Picchu



Conseguimos chegar ao Machu Picchu entre os 400 primeiros ganhando assim o direito de subir o Wayna Picchu, em meu bilhete ganhei um carimbo com o numero 284, a subida ao Wayna Picchu é feita em dois horários, às 7:00h e às 10:00h, um guia no hostel nos aconselhou a subir as 10h, pois a neblina já estaria mais baixa, e a vista seria espetacular. E REALMENTE ESTAVA.

O Machu Picchu é Incrível, grandioso, misterioso.

Existiam pedras polidas com extremidades que com o raio do sol da manhã a sombra preenchia uma outra pedra polida mais adiante. Como um desenho, uma obra de arte.

A cidade perdida dos Incas é muito maior pessoalmente que as centenas de fotos que antes via na Internet, é realmente grande e bela.
A cidade é em cima de uma gigantesca montanha, que, tem ao seu redor muitas outras montanhas grandiosas, a neblina é constante pela manhã, e em conjunto com as montanhas parece um belo oceano onde as montanhas são ilhas.

Havia logo na chegada uma homenagem homem que guiado por nativos encontrou a cidade perdida dos Incas que até então era uma lenda[FOTO].

Um guia nos encontrou e a cada passo que dava explicava um pouco da fantástica historia dos povos que ali habitaram. Rituais e religião, o grande Inca "Chefe" do povo e a política, a sociedade, e economia. - uma aula que jamais teria tido nas rotineiras manhãs de quarta-feira na faculdade de história. 



Aproximava-se das 10:00 horas e seguimos para Wayna Picchu, preparamo-nos para a subida de aproximadamente  uma hora e a curiosidade supera o cansaço, esquecemos que dormimos na madrugada e que acordamos às 3:30 da manhã, da mesma madrugada. Encaramos a montanha complementar da cidade perdida. 

A cada passo da íngreme montanha via a cidade cada vez mais longe, e cada vez mais tínhamos noção de como ela era extensa, em meio a imensidão da mata. A montanha tinha ao seu redor o Rio Urubamba, que banhava também a cidade de Aguas Calientes de onde havíamos partido. 

Wayna Picchu era uma espécie de  observatório da cidade, assim como os Gregos tinham sua Acrópole em Atenas, os incas tinham o Wayna Picchu da cidade perdida. De lá podia-se ver qualquer inimigo que se aproximasse para um eventual ataque. Existia casas, "bases" e muitos, mas muitos degraus mesmo, subíamos sem parar até chegar ao cume da montanha. Visão fantástica.

A chuva nos encontrou e já era hora de voltar pra cidade, descemos Wayna Picchu e saimos do Machu Picchu, os ônibus que transportavam as pessoas para a cidade já estavam partindo, e juntos decidimos que era hora de economizar, resolvemos descer a pé até a cidade de Aguas Calientes, foi 1h de escadaria cortando as estradas que seguiam dando voltas na montanha.
Tínhamos dormido pouco, nos alimentado mal e  acabado de subir e descer o Wayna Picchu, andamos muito até aquela hora, tomamos chuva e estávamos sujos, não tínhamos mais água, e começamos a sentir o efeito de tudo isso. 

As pernas já não obedeciam direito e vibravam, parar era pior, só queríamos chegar, relaxar e comer.
Por fim atravessamos a ponte do rio Urubamba e caminhamos mais algumas dezenas de metros até chegar a cidade de Aguas Calientes. 

Uma ótima sensação de conquista e superação de limites me preencheu...




domingo, 23 de maio de 2010

Aguas Calientes / PE (antes do Machu Picchu)





Chegamos em Aguas Calientes a noite, cerca de 8h da noite, havia na estação de trem um guia esperando por nós, e como eu havia dado meu nome a agente que reservou o hotel em aguas calientes para nós, o guia trazia uma placa com meu nome[FOTO], faltou um "h" no "Tharsis". Chegamos ao hotel e recebemos as instruções necessárias e um mapa para no dia seguinte subirmos o Machu Picchu. Devíamos acordar cedo e chegar ao ponto dos ônibus que levam as pessoas ao Machu Picchu o mais cedo possível, todos recebiam essa instrução, pela madrugada já havia muita gente a espera dos ônibus que só saiam às 6h. Acordamos então às 3:30h com a intenção de às 5h estarmos no ponto, nas ruas encontrávamos outros grupos com um pequeno mapa da cidade na mão também indo na mesma direção que nós, me deu a impressão que havia uma espécie de "cartel" entre os guias, eles devem criar os mapas e as instruções juntos, e cada um pega uma equipe de pessoas, parecia uma corrida para chegar primeiro ao ponto, chegamos então, e já havia umas 45 pessoas na nossa frente, isso era bom, éramos os primeiros.



Na fila[FOTO] tomamos nosso café da manhã na calçada e aguardamos até que os ônibus chegassem, eram micro-ônibus, subimos no 3° micro-ônibus[FOTO] rumo ao
Machu Picchu.

(click na imagem para ampliar)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

City Tur e Vale Sagrado / PE - Fotos

Saqsayawman


Puka Pukara


Tambomachay



Pisaq


Ollantaytambo
                                                                  
(click nas imagens para ampliá-las) 

Puno - Cusco / PE

Chegando na fronteira uma longa fila nos esperava, para entrar no Peru. Primeiro entreguei meu cartão de vacinação, tirei xerox e fui direcionado aos "caixas de liberação", lá eles decidiam se podíamos entrar ou não no país. Um dos colegas de viagem ia com o coração na mão e a carteira de motorista, único documento que trazia, por incrível que pareça ele atravessou, conheceu 2 países e voltou pra casa antes de nós, com uma carteira de motorista e nada de cartão de vacinação.
A primeira cidade que entravamos era a cidade de Puno, só ficamos ali o tempo suficiente para pegarmos a liberação e trocarmos alguns dólares por Soles e seguimos então para Cusco em um bom ônibus.

Cusco é uma bela cidade colonial, muitas casas com varandas de madeira e belas igrejas bem ornamentadas[FOTO]. Uma cidade completamente  turística a mais visitada por pessoas de todo o mundo, Cusco foi a primeira capital dos espanhóis na pós-conquista e também a unica capital Inca da pré-conquista pelos espanhóis. É a cidade referencia para quem pretende subir o Machu Picchu, lá tudo era mais fácil de encontrar, boas hospedarias, bons lugares para comer, lavanderias, pagamos 25 S/ em um hostel com baño privado (calliente)  e desayuno chamado Ayllu Real, já ia esquecendo da TV  a cabo. A cidade tem pessoas com níveis sociais e financeiros detectáveis, belos carros e miniaturas de táxis, ricos e pobres, homens de paletós e mulheres gordas de vestidos coloridos (Chollas) deitadas na porta das igrejas.
Chegamos de manhã bem cedo do dia 28 de Dezembro em Cusco, passamos o dia descansando e arrumando a mochila, todo lugar que paramos rearrumamos as mochilas e o mais impressionante é que, sempre cabe mais e mais coisas, algumas ficam penduradas.

Obs: Nesse dia usei uma técnica que meu tio me ensinou, parecia que não havia água no banheiro, mas na verdade, era ar no cano, abri a torneira e o chuveiro e depois de uma série de barulhos, foi intensificando - se a quantidade de água até ficar normal.


















Dia 29 o City Tur por Cusco e redondezas, vimos os últimos vestígios deixados pela Civilização Inca e muito da arquitetura espanhola em lugares onde antes era arquitetura Inca, principal desses lugares foi o templo de Quoricancha.
Dia 30 fizemos o Vale Sagrado - Ruínas Pré-colombianas, todos os lugares povoados pela civilização Inca, e apesar de todas formarem um belo passeio, gostei em especial das ruínas de Ollantaytambo[FOTO], uma cidade maravilhosa montada em uma gigantesca montanha, foi o a ultima ruína que visitamos, passamos um dia inteiro no vale sagrado. De Ollantaytambo pegamos um trem a Águas Calientes, onde já havia um guia esperando por nós, o qual nos levaria ao hotel que dormiríamos para no dia seguinte subirmos o Machu Picchu.    
Ollantaytambo
Pisaq



sábado, 17 de abril de 2010

Isla del Sol (Lago Titicaca) / BO







A partir de Copacabana fomos na manhã do dia seguinte a Ilha do Sol, localizada no Lago Titicaca - O maior lago continental do mundo - pagamos 150 B/ pelo passeio e pela passagem até Cusco - Perú atravessando a fronteira. Chegamos no porto as 08:30 e partimos, uma ou duas horas de barco chegamos, fomos logo recebidos por pequenos nativos no Cais[foto]. E logo um guia se aproximou, explicou que trabalhava na ilha sem cobrar, e que ficássemos a vontade de ajuda-lo com o que pudéssemos guiou-nos  até um pequeno museu e explicou sobre os achados arqueológicos depois nos levou a ruínas das antigas civilizações[foto] que ali habitaram. 
Passamos por uma "praia" onde branquelos turistas tomavam sol e mais crianças nativas, brincando com paus e areias, esses já não eram tão receptivos, fui atacado porque abaixei pra tirar uma fotografia[foto], assim que consegui levantei-me rápido, a pequena parou e voltou correndo, escavamos no lado Norte da ilha, o guia explicou-nos que deveríamos estar no lado sul da ilha as 15:30 ou voltássemos ao cais as 13:30, destruímo-nos com tamanha beleza da ilha e deixamos passar o horário de voltar ao cais, ficamos assim, obrigados a atravessar a ilha até o lado Sul pra  retornarmos a Copacabana com o barco, o problema era apenas um, a trilha era feita em 3h e nós só tínhamos 2h para atravessar ou perderíamos o barco, assim respiramos e fomos, o mais rápido que podia-mos, subindo e descendo pequenos montes, olhávamos para o lado e a paisagem nos encorajava, olha vamos para frente e desanimávamos ao ver o tanto que ainda restava. assim fomos alguns mais a frente outros mais atrás, pequenos problemas surgiram no caminho, problemas do tipo: três taxas ilegais cobradas por Cholas nativas, as quais eu não paguei falando em policia, o cansaço que ia atingindo um a um, pernas trêmulas e pouca água, por fim conseguimos chegar ao outro lado da ilha e só o que queria-mos era entrar no barco e descansar.

Assim esquecemos para trás 2 dos nossos, que não completaram a trilha no tempo suficiente, suspeitando que tinham pego o barco das 13:30 no lado norte da ilha, voltamos para Copacabana.

Quando chegamos em Copacabana o ônibus estava a nossa espera para ir a Cusco, enrolamos o máximo esperando os que faltavam quando nos demos conta que não estavam lá. Alguns, inclusive eu já estávamos decididos a espera-los e deixar que o ônibus fosse embora quando, surgiram, estressados pelo ocorrido, por fim seguimos viagem.
Duas horas em uma van até a fronteira entre Bolívia e  Perú...

(click na imagem para ampliar)




sexta-feira, 16 de abril de 2010

Copacabana / BO



A caminho de Copacabana passamos por diversas casinhas com grande terreno e plantações, alguns animais domésticos e pequenos vilarejos com uma dúzia de casas, Copacabana fica do outro lado do Lago Titicaca, o ônibus chega a um pequeno cais e  nos deixa, nós, em  uma pequena lancha seguimos até o outro lado e o nosso ônibus segue em uma balsa meio duvidosa[foto], com todas as mochilas, atravessando assim pra outra margem do lago Titicaca.

Ao redor do Lago Titicaca faz um frio considerável, talvez mais que em La Paz, mas nada comparado com Chacaltaya - volto a afirmar que foi o maior frio que já senti na vida. Do outro lado do titicaca tem um pequeno cais com restaurante (comedor San Pedro de Tiquina), casas, uma estátua Inca[foto] e alguns pequenos comércios.



Seguimos em nosso ônibus aventureiro até a pequena e confortável cidade de Copacabana. Ouvi na boca dos companheiros que aquela era a cidade mais brasileira de todas as cidades bolivianas, não só no nome mas no estilo de vida dos moradores, muitas festas, bons barzinhos e vida noturna. Chegamos a noite, fomos em busca de um hotel barato e encontramos um extremamente barato, 25B/ - quarto para 4 com "baño compartido". Apesar do banheiro ser usado por todos, ele supriu nossas necessidades básicas, os outros ficaram em outro hotel pelo mesmo preço. A noite fomos conhecer a pequena cidade, comemos uma bela pizza de truta e aqueles que bebiam se divertiram com a bela e caprichada tequila[foto] servida aos estrangeiros no "Mankha Uta restaurant".


A uma da manhã saímos de lá, alguns mais alegres que o normal, todos bem satisfeitos, ao sair, um pequeno garoto boliviano jogava futebol com mais 2 amigos. Brasileiros são brasileiros, e lá estavam, a uma da manhã jogando futebol com o garoto, não demorou muito até aparecer mais dois jovens bolivianos e muitas cabeças nas "ventanas" - janelas, começou a nossa revanche, a alguns meses atrás o brasil perdera para a bolívia por 2x1, se não me falha a memória, e agora era nossa vez...

Brasil x Bolívia [foto]
Local: Copacabana / Bolívia
Hora: 01:00 ( horário Boliviano)

O campo era a ladeira dos barzinhos e as traves dos gols eram garrafas vazias e pedras, assim se fez a diversão da madrugada em Copacabana, muitas risadas e apesar do suposto empate ouviu-se muitas comemorações, nenhuma reclamação dos vizinhos e fomos felizes, todos adoraram a pequena cidade de Copacabana.


Na manhã seguinte fomos até uma agencia de turismo e marcamos o passeio pela "Isla del Sol" o passeio das 08:00, compramos logo a passagem direto a Cusco(Peru), conversamos e todos preferiram excluir Puno do roteiro, Puno era a cidade que fazia fronteira entre Bolívia e Perú.



quinta-feira, 11 de março de 2010

La Paz / BO


Conhecemos muitos brasileiros, fizemos boas amizades, logo que chegamos fomos em busca de um hostil que estava no roteiro, mas este estava cheio, dai o taxista nos levou ao hotel Torino, excelente! Baño caliente, quartos quentes e agradáveis, na manhã seguinte a que chegamos fomos visitar as ruinas de Tiahuanaco [foto], um ótimo guia e belas fotos da arte dessa civilização que antecedeu aos incas.
                                                            
Depois veio um belo almoço com direito a truta e carne de llama - comparei com salmão e boi, depois, mais adiante na viagem percebi que aquela tinha sido muito bem preparada, pois com o tempo o sabor da carne de llama deixou de ser tão agradável.
Na refeição sentamos com duas brasileiras, com as quais falamos coisas sobre dar valor ao que temos, e sobre tantas refeições horríveis que tivemos e o quão aquela estava maravilhosa. 

Depois do almoço fomos a feiras artesanais, conhecemos a feira de las Bruxas, compramos gorros, luvas, cachecois, eu comprei uma bela capa de violão toda feita a mão, e um xadrez para dar a um bom amigo, Espanhóis x Incas. Nosso grupo de 4 foi a 13...todos brasileiros com roteiros semelhantes, pagamos relativamente barato para dormir, 40 b/ (10 reais) e comíamos por 15 b/ uma deliciosas refeições em um sofisticado restaurante ao lado do hotel.

NATAL longe da familia não é tão legal, passeamos e percebemos como o Natal é algo familiar.


na manhã seguinte dia 26/12 cedo subimos Chacaltaya [foto] - muito frio, muita neve, nunca senti tanto frio na minha vida, a dormência tomou conta de meus meus dedos dos pés e das mãos, e só voltaram ao estado normal 2h depois. Enquanto subíamos ouvia-se o som de trovões e muita neve a cair, o pior momento foi a descida, muito escorregadia e não se via mais nada, só o infinito branco...


...e por toda esquina se ouve: Pollo, Polloo, Pooolloooooo...

:D difícil querer comer frango ouvindo tanto seu nome. A altitude é tensa, nosso hotel se localizava em uma ladeira, sempre que saiamos demorávamos muito pra voltar, cada passo era um sacrifico, ainda mais subindo, acostumado a fazer as coisas rápido, sofri! dava um pulo pra subir as escadas e não aguentava dar nem mais um passo, parava pra respirar, muita falta de ar, o frio também não ajudava, tive febre a noite, a garganta não tinha piedade de nós.

Saímos as 15:30 com destino a Copacabana, pagamos barato por uma viagem longa, atravessando o Lago Titicaca. Nós, brasileiros, ocupávamos uma boa parte do ônibus, éramos muitos e estávamos unidos, só se ouvia o português.




terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Santa Cruz de La Sierra / BO --> La Paz

Dia 23 chegamos a Santa Cruz, muito calor, estávamos com bafos terríveis, cabelos sebentos precisando mesmo de banho, dia 21 a tarde tinha sido meu ultimo banho, no trem víamos os cozinheiros, ao acordar, organizando sua higiene na pia da cozinha, ao som de Creu, Bruno e Marrone, Calipso e até Morango do nordeste em espanhol. Chegando na rodoviária de Santa Cruz avistamos uma placa perto de um barraco que dizia: "Bienvenido La Los Angeles",  a primeira coisa que buscamos foi as passagens para La Paz, depois Banho(FOTO) por 3B/.

Santa Cruz é a cidade comercial, muitas empresas e muitos burgueses ( os que não apóiam Evo Morales )
o clima em Santa Cruz é menos quente que o de Quijarro, compramos passagens p/ La Paz por 130B/ pela agencia Trans Copacabana,  tinha de 80B/ contudo, lotado!
O ônibus sairia as 19:30h  e ainda eram 10:30h, aproveitamos pra conhecer a cidade, fomos a uma grande feira de produtos importados, compramos: maquina fotográfica, Pen driver. Achamos uma Lan house por 4b/ a hora, descarregamos as fotos.
As 19h embarcamos pra La Paz, na hora do embarque conhecemos alguns brasileiros, que também estavam indo a La Paz, pouco mais de 19h e, lá estava nosso ônibus, o ônibus dos brasileiros não era aquele, era um que estava atrasado, deveria sair as 14:30h( a passagem que lamentávamos não ter comprado, por ser mais cedo), já se aproximava de 20h e nada do ônibus deles, a previsão era chegarmos as 8h da manha do dia seguinte, chegamos a noite, foram 24h de viagem, o dobro do previsto. Coisas da Bolívia!

Caminho a La Paz

Chovia muito e o motorista seguia cauteloso, quase parando, após umas cinco horas de viagem o ônibus realmente parou, havia uma fila enorme de ônibus e caminhões, e uma luz na cabeceira da fila, descemos pra ver o que estava acontecendo,um motorista nos informou que havia muitas terra na estrada e alguns homens trabalhando para retira-la, o deslizamento de terra nos deixou parados por umas 5 horas, rimos, dormimos e por fim seguimos viagem, e logo percebemos a diferença do ambiente, do clima, do povo, a forma de se vestir, as pessoas parecem mais calmas, serenas e tranqüilas. Em Santa Cruz tudo é mais agitado, as pessoas, os carros, a cidade. No caminho vimos grandes vales, subíamos sempre, até alcançar o verdadeiro altiplano, retas prolongadas, muitas plantações, muitas ovelhas, jegues peludos e algumas llamas.
Os Bolivianos não reclamavam de nada durante toda a viagem, apesar do muito atraso e das diversas paradas que fizemos, estavam em paz, dormiam, falavam pouco e baixo, lembrei logo do meu belo Brasil, onde todo mundo reclama de tudo.
Passamos por Cochabamba, uma cidade em meio a um gigantesco vale,  de lá dava pra ver as primeiras montanhas com uma bela cobertura de neve. Em Cochabamba é tudo plano, e mesmo assim todos andam devagar, os carros são cobertos de adesivos, na lataria e no vidro,  o motorista prevê que chegaríamos a La Paz as 17h. Apesar de estarmos a 2.500 metros de altitude ainda não sinto sintoma algum, todos estão bem, meus ouvidos me lembram as viagens de avião, estão tapados.
Na Bolivia a comida tradicional é o Pollo ( Frango), nada é mais popular, em todos os lugares ouve-se " pollo, pollo, pollo..." e mulheres - Cholas - vendendo sanduiches de pollo...
Todas as cidades bolivianas tem feiras populares, onde vendem de tudo, são como as cidades do interior brasileiro, as vezes é difícil identificar o que é táxi e o que não é, nem todos tem identificação, e os que tem são do jeito deles, com adesivos customizados, não tem placas de identificação padronizadas.

As 11h da manhã descobrimos que o atraso para sair de cochabamba era devido a um defeito na marcha, tínhamos viajado todo aquele percurso sem usar a primeira marcha, que estava defeituosa, os mecânicos eram rápidos, corriam pra todos os lados o tempo todo, trabalhando em equipe e aos gritos, pensamos que talvez chegaríamos em La Paz a noite.


No trajeto a La Paz via-se diversos vales após cada grande subida, e durante todo o trajeto via-se pessoas, principalmente crianças, com chapéis e casacos, me veio o pensamento, o Sol da tarde, tão quente, como usam tantas roupas, quando descemos pra usar o banheiro natural percebi que apesar do sol estar quente, o ar era rarefeito e soprava muito gelado, ao longo do trajeto vimos também diversas casas cheio de pedras nos tetos, o teto é feito de placas tipo eternites e concluímos que o vento é poderoso por ali, senti a altitude quando desci do ônibus, dei uma corridinha pra adiantar e senti que cansei de forma diferente, mais exaustiva.
Crianças por todos os lados, balançam suas mãos como se estivessem pedindo, e provavelmente estão, mas, a cada 100 metros há uma criança, em meio a montanhas, distantes de casas, uma outra criança, algumas vezes só! algumas vezes com pais, e algumas vezes  llamas. A cada Km o solo é mais seco e vegetação mais rasteira, faltam 260 km pra chegar a La Paz.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Porto Quijarro / BO --> Santa Cruz de La Sierra / BO




Chegando em Quijarro de táxi passamos pela fronteira, antes, durante e depois da fronteira já ouvíamos todos dizendo que não havia mais passagens para Santa Cruz, era dia 22/12 e todos passavam natal em La Paz, e que não havia passagens, não havia nenhuma opinião favorável, só a nossa vontade de ir a Santa Cruz no famoso Tren de la Muerte, a viajem durava 18 horas.
Conhecemos um casal que pensava como nós e que ouviram as mesmas coisas que nós, então juntamo-nos e fizemos um trato com um boliviano que queria nos levar a Santa Cruz por 42 dólares e dizia ele ter ar condicionado, o trato foi o seguinte: ele nos levaria até a estação de trem, tentaríamos ir de trem, se não conseguíssemos aceitaríamos a proposta do motorista.
Chegando na estação de trem concluirmos que não havia possibilidade de ir no carro dele, o calor era insuportável, e o ar condicionado servia para nada.

Chegando no guichê de vendas de passagens descobrimos que só havia passagens para o dia seguinte ao meio dia, pensamos na possibilidade mas quando saiamos para falar com os outros um boliviano em cima da escadaria nos chamou, Opa! , um cambista, lembrei-me logo do maracanã e de como somos contra aqueles cambistas que sempre nos deixam sem ingressos, mas na hora do aperto vemos o lado bom das coisas ruins, e lá estávamos nós negociando com um cambista. ele nos cobrou 200 B/ o valor da passagem no guichê era 127B/, pagamos mais para ir no trem daquela tarde que saia meia hora depois. 


O Esquema do Cambista ( Trem da Morte)


O esquema era o seguinte, aquele cambista(A) era o intermediário entre nós "clientes" e o condutor do trem que era o verdadeiro cambista(B). O cambista(A) conseguia os clientes, levava as identidades e passaportes dos "clientes" ao cambista(B) este dava 50B/ ao cambista(A) e ficava com 150B/, dos 150B/ ele tirava o valor da passagem: 127B/  e o resto era de lucro.


Entramos no trem antes de todos e fomos colocado em um vagão vazio, com ar condicionado e TV, um ótimo lugar, confortável e espaçoso, passava filmes do Stallone, com uma voz de boliviano engraçada, havia 5 opções de filmes dele, alguns Rambo's entre eles, e o maquinista escolheu: "Pare se não a mamãe atira".(FOTO) Desconfiamos de tanta bondade, nossos passaportes já havia 30 min. que não sabíamos onde estava, e assim permaneceu pelas 8h que se seguiram...
Até que chegando em uma determinada estação o nosso vagão foi invadido por bolivianos (FOTO) e lotou, e descobrimos ali que realmente tinha algo errado com todo conforto que estávamos tendo, os donos de nossos lugares chegaram e ficamos sem cadeira, como nos filmes o cambista (B) que era o condutor do trem e o possuidor de nossos documentos surgiu e nos mandou pro refeitório (FOTO) do trem, devolveu nossos documentos e recebeu o nosso dinheiro, fomos, chegando lá todos os cozinheiros dormiam no chão, foram pisoteados e muito incomodados com nossa presença, o lugar estava extremamente escuro, não vimos completamente nada, sentamos em bancos apertados, sem nenhum conforto e nada de ar condicionado, todos que nos impediam de permanecer ali tínhamos como justificativa um único nome, o nome do condutor do trem que nos mandou para lá algo como "kabahal". nome muito útil para nos manter ali, todos pareciam ter medo desse nome.

OBS: o verdadeiro nome do condutor era algo como Carnajal

A parte do  Esquema do Cambista que descobrimos depois

Varias estações vendiam passagens para La Paz, em Santa Cruz alguns foram lotados e ao longo do percurso os outros foram sendo lotados, de forma que nós que estávamos no último vagão a ser lotado ficamos 8h sentados e as outras 10h no refeitório.

No trem o almoço custava 20B/ e a água 6B/ um dos companheiros de viajem pagou uma refeição com 100B/ e recebeu 176B/ de troco, devolveu é claro, mas foi motivo para boas risadas como todo o resto dos acontecimentos.